quinta-feira, 31 de março de 2011

A arte de dizer: "não"


  

Você já parou para fazer a programação do seu dia? Quantas horas por dia você dedica para você mesmo, para fazer alguma coisa que você goste?
Pois então, vamos fazer alguns cálculos rápidos:
-O dia tem 24 horas, se você dorme bem, dorme pelo menos 8 horas, logo sobram 16 horas
-Se você trabalha, trabalha pelo menos 8 horas, logo sobram 8 horas
-Se você trabalha e pega ônibus, passa cerca de 2 horas neles, logo restam 6 horas
-Se você ainda estuda em uma faculdade, por exemplo, estuda cerca de 4 horas, logo restam 2 horas
Agora te pergunto:
-O que você faz nestas 2 horas?
Será que você está dedicando tempo para você mesmo?
-Tem praticado algum esporte? Lido um livro ou tocado aquele instrumento que você tanto gosta? Há quanto tempo não visita aqueles amigos de tanto tempo? E sua família, tem sido um estranho dentro de casa? As vezes é preciso parar e reavaliar a vida, o modo como a vivemos, onde e como dispensamos nosso tempo, não que não façamos coisas importantes, mas será que são as mais importantes?
Veja esta história:
“Conta antiga lenda, que um jovem com habilidade e rapidez no corte de lenha, procurou um mestre, o melhor cortador de lenha da região e pediu para ser aceito como seu discípulo a fim de aperfeiçoar seus conhecimentos.
O mestre concordou e passou a ensiná-lo. Não se passou muito tempo e o discípulo julgou ser muito melhor que o mestre, desafiando-o para uma competição em público.
Tendo o mestre aceito o desafio, tudo foi marcado, preparado e teve início a competição.
O jovem trabalhava no corte de lenha sem parar, e, de em quando, olhava para conferir como estava o trabalho do mestre. Para grande surpresa do jovem, o mestre encontrava-se muitas vezes sentado, tendo isto ocorrido durante toda competição.
Isto fortaleceu a determinação do jovem, que continuou a cortar a lenha e a pensar ― “Coitado, o mestre realmente está muito velho...”
         Ao término da competição foram medir os resultados, e o mestre havia cortado mais lenha que o discípulo.
         O jovem indignado disse:
         -Não consigo entender, não parei de cortar lenha o dia todo, com toda minha energia, e toda vez que eu olhava o senhor estava descansando!
         O mestre respondeu:
         -Não meu jovem, eu não descansava, só amolava o meu machado. Você, por estar tão empolgado em cortar mais lenha, se esqueceu deste pequeno detalhe.
         Sua produtividade caiu e você perdeu.
         O nosso machado é a nossa mente. Se não a amolarmos constantemente ela perderá o corte e aí não poderemos cortar as nossas madeiras do dia-a-dia da maneira como cortávamos anteriormente”

Temos preocupações exageradas, e acabamos abraçando tudo que nos aparece, esta situação traz duas complicações: - A primeira é que ficamos sem tempo para nós mesmos, porque assumimos mais compromissos do que deveríamos muitas vezes por achar que se não assumir, ninguém os fará. – A segunda é que acabamos tirando a oportunidade de outras pessoas, é já pensou nisso? Quantas pessoas não desenvolvem suas habilidades por falta de espaço ou de oportunidade. E a culpa muitas vezes é sua por abraçar tudo.
Até Jesus às vezes dava um tempo de tudo para repensar as coisas e se abastecer:

         Passado uns oito dias, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, e subiu ao monte para orar.” Lucas 9, 28

Quando Jesus subia ao monte, Ele estava dando um tempo para si mesmo, um tempo para recarregar as baterias, para descansar a mente, para fortalecer a alma. Por isso o título deste post é “A arte de dizer não”
Precisamos aprender a dizer não, e isso não significa ser omisso, ou se negar a fazer o que é preciso, mas significa que você não é o único, que há outras pessoas capazes de fazer aquilo que você faz, nem sempre com a mesma competência, mas talvez com a mesma vontade. E isso não é ruim, é ótimo! Significa que você não precisa abraçar tudo, significa que o trabalho pode ser partilhado, significa mais tempo para você!
Tem uma frase muito boa que eu ouvi de um feirante e que resume esse tema muito bem: “Se cada um carregar uma caixa, ninguém carrega duas!”
         Então, divida suas caixas e dê oportunidades para que outras pessoas cresçam e se tornem prestativas, assim como você. E aproveite o tempo que vai sobrar para passear, tocar, cantar, brincar, curtir a namorada, a família, os amigos, etc, etc, etc...

Marcel Luís

Um comentário:

Juliana Costa disse...

Passei por uma fase de dizer não a pouco tempo, pois como disse no texto abraçei todas as oportunidades que a vida para não perder tempo, mas foi o que aconteceu perdi o precioso tempo comigo mesma e com deus então desisti de algumas coisas para que voltasse a ter foco na minha vida e fazer coisas que realmente gosto e que são necessárias