quarta-feira, 15 de junho de 2011

Vocação: História de amizade

 
Conta-se, que um garoto, vizinho de um grande escultor, entrou um dia no seu estúdio e viu um gigantesco bloco de pedra. Ao regressar, dois meses depois, encontrou no seu lugar uma preciosa estátua equestre. Voltando-se para o escultor, perguntou-lhe: Como é que sabias que dentro daquele bloco tinha um cavalo?”
A frase do pequenote não foi uma “piada” infantil. A verdade é que o cavalo estava, na realidade, já dentro daquela pedra. E a capacidade artística do escultor consistiu precisamente nisso: saber ver o cavalo que tinha dentro e ir tirando tudo o que estava a mais. O escultor foi removendo da pedra tudo o que impedia de ver o cavalo ideal que estava no seu interior. O artista soube ver dentro o que ninguém via. Esta foi a sua arte.

Eu gosto de compreender assim a minha vocação: Uma história de amizade entre Jesus e eu. Ele me conhece, melhor ainda que eu próprio; sabe o que está dentro deste bloco de pedra; vê o que ninguém mais vê. “Senhor, vós me perscrutais e conheceis, sabeis quando me sento e me levanto, conheceis á distância o meu próprio pensar…” (Salmo 139).
Pouco a pouco, com tempo e paciência, ele tira um pedaço daqui, outro dali; dá mais um toque, uma vez mais forte, outras, mais leve, contempla, afasta-se para ver a obra no seu todo; aproxima-se para a sentir e trabalhar. Vai-me mostrando o que sou, a mim próprio e aos outros.
Por vezes até eu me espanto com a obra que está em mim, que se manifesta agora no seu esplendor. É então que experimento que não lhe sou indiferente, que ele me ama, e que faço parte do seu projecto de amor.

Um comentário:

Juliana Costa disse...

uau que lindo1 a algum tempo, mas esse texto expressa isso maravilhosamente bem!