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sexta-feira, 11 de maio de 2012

Dá pra ser um jovem santo hoje?

Conheça a história de Chiara Luce Badano, italiana, jovem, e que teve sua beatificação reconhecida pelo vaticano.


Os pais de Chiara, Maria Teresa e Ruggero Badano, casaram-se com 26 anos, mas tiveram que esperar 11 até que tivessem um filho. "Mas percebemos logo que não era filha apenas nossa, era, antes de tudo, filha de Deus, e como tal a devíamos educar, respeitando a sua liberdade", conta Maria Teresa.

Foi com nove anos e meio que Chiara conheceu o Gen e, ao mesmo tempo, que Deus é amor. "Foi um momento fundamental para a vida de Chiara", testemunha Ruggero.

O início da caminhada mais íntima de Chiara rumo ao seu Esposo Jesus, como gostava de chamá-Lo, começou em 1989, quando estava prestes a completar 18 anos. Ela enfrentou o diagnóstico de um osteosarcoma, tipo de câncer nos ossos, após sofrer uma forte dor nas costas durante uma partida de tênis.

A propósito, ela era uma "esportiva por excelência" e gostava de patinação, montanhas e mar, como lembra sua mãe. "Era uma menina cheia de vida: gostava de rir, cantar e dançar. Era uma jovem maravilhosa", complementa.

"Chiara, não tenha medo de dizer-lhe o seu sim, momento por momento. Ele lhe dará a força, esteja certa disso! Eu também rezo  e estou sempre aí com você. Deus lhe ama imensamente e quer penetrar no íntimo da sua alma e fazer com que você experimente gotas de céu. 'Chiara Luce' ('Clara Luz') é o nome que escolhi para você. Você gosta? É a luz do Ideal que vence o mundo. Eu o mando a você junto com todo o meu afeto...", escreve a fundadora do Movimento dos Focolares, Chiara Lubich, em uma das cartas da intensa correspondência que as duas trocaram durante o período da doença

Servizio Informazione Focolari
Chiara Luce é a primeira membro do Movimento dos Focolares a ser beatificada
E os 25 minutos? A mãe da jovem beata conta essa história, que aconteceu logo depois da primeira sessão de quimioterapia a que Luce teve que se submeter:

"Naquele dia, eu não podia acompanhá-la, porque estava com flebite e o médico tinha me proibido qualquer movimento. Depois de duas horas intermináveis, Ruggero e Chiara voltaram. Ela vinha na frente, caminhando lentamente, vestida com a sua jaqueta verde. Tinha o rosto sombrio e olhava para o chão. Perguntei como tinha sido e ela, sem me olhar, respondeu: 'Não diga nada agora', e se jogou na cama com os olhos fechados. Aquele silêncio era terrível, mas eu tinha que respeitá-lo. Eu olhava para ela e pela expressão de seu rosto via toda a luta que estava travando interiormente para dizer o seu ‘sim’ a Jesus. Passaram 25 minutos. De repente ela se girou na minha direção, com o sorriso de sempre, dizendo: 'Agora você pode falar'. Naquele momento eu me perguntei quantas vezes ela iria ter que repetir o seu sim, no sofrimento. Mas Chiara precisou, como eu já disse, de 25 minutos, e desde então nunca mais voltou atrás".

Chiara veio a falecer em 7 de outubro de 1990. Ela mesmo havia preparado tudo: as canções de seu funeral, as flores, o penteado, o vestido de noiva, para a sua 'festa de núpcias' com o Senhor.

"As suas últimas palavras – que não foram o seu último ato de amor, porque esse foi a doação das suas córneas a dois jovens – quando se despediu, foram: 'Tchau mamãe! Esteja feliz, porque eu estou feliz'", relata Maria Teresa.


O processo de Beatificação


A iniciativa do processo de beatificação deve-se ao bispo de Acqui, Dom Lívio Maritano, que conheceu Chiara Badano pessoalmente. Eis a motivação: “Pareceu-me que o seu testemunho foi significativo sobretudo para os jovens. Precisamos de santidade nos dias de hoje. Temos que ajudar os jovens a encontrar uma orientação, um objetivo, a ultrapassar a insegurança e a solidão, os seus enigmas perante os insucessos, o sofrimento, a morte, e todas as preocupações. O testemunho de fé e de fortaleza desta jovem é surpreendente. Impressiona, leva muitas pessoas a mudar de vida, temos testemunhos quase
todos os dias”.

O processo durou 11 anos. A fase diocesana, entre 11 de junho de 1999 e 21 de agosto de 2000, e no Vaticano, entre 23 de agosto de 2000 a 8 de Julho de 2008, quando a Serva de Deus, com o reconhecimento das “virtudes heroicas”, foi declarada Venerável.

Em 10 de Dezembro de 2009, foi proclamado o decreto pontifício sobre o milagre por intercessão de Chiara Badano: a cura imprevista e inexplicável de um rapaz de Trieste, com uma gravíssima forma de meningite fulminante. Os médicos haviam dado-lhe apenas 48 horas de vida.

Fonte: CançãoNova.com

sábado, 27 de novembro de 2010

Entrevista : Dunga

» Entrevista com Dunga

Dunga

"O PHN é uma proposta de evangelização radical para a juventude"


Aconteceu de 23 a 25 de julho, na sede da Canção Nova, em Cachoeira Paulista (SP), a 12ª edição do Acampamento PHN, com o tema “Ele crescia em graça, estatura e sabedoria”. Para falar mais sobre sua história de superação e sobre esse movimento contra o pecado [o PHN], conversou conosco o cantor e missionário da Comunidade Canção Dunga, que é o idealizador e o maior divulgador dessa proposta.

No áudio abaixo você confere, na íntegra, este depoimento.



cancaonova.com: Dunga, falando um pouco da sua história, o que o levou a procurar um grupo de oração ainda na fase de rebeldia?


Dunga: Eu acredito que isso é fruto da intercessão e do testemunho da minha mãe, pois, mesmo na época em que eu estava nas drogas e na prostituição, numa vida sem muita produtividade, sempre houve um testemunho muito forte dentro de casa. Eu ouvia frases como: “Um dia Deus vai falar ao seu coração”, e “Um dia você vai abrir os seus olhos”. Estas frases eram ditas sempre com muito carinho e, numa determinada noite, eu me recordei das palavras da minha mãe e acabei, quase que por instinto, entrando numa igreja onde estava acontecendo um grupo de oração – o grupo do qual eu me tornei animador e coordenador no futuro – e mudou a minha vida. Eu costumo dizer que entrei drogado e saí batizado no Espírito Santo, isso foi no ano de 1983. E eu acredito que a semente foi muito bem plantada e chegou a hora em que ela simplesmente decidiu germinar.

::Saiba mais sobre Dunga, idealizador do PHN


cancaonova.com: Você disse que sua vida mudou ao entrar naquele grupo. O que mudou?


Dunga: Mudou em primeiro lugar o meu grupo de amigos, porque eu tinha poucos amigos e estes poucos não me ofereciam uma qualidade na amizade, e a verdadeira transformação foi que eu pude ter contato com pessoas por meio das quais eu descobri que o ser humano é maravilhoso, ou seja, o meu horizonte abriu e esta relação de verdadeira amizade foi um fator muito grande de conversão na minha vida, porque eu pude conhecer pessoas interessantes, pessoas inteligentes que buscavam a santidade, pessoas que realmente queriam produzir algo bom na vida e, no fundo, era justamente isso que eu queria, porque, mesmo estando nas drogas, eu nunca quis fazer mal a ninguém, mas o meio no qual eu vivia não me ajudava a fazer este bem. E justamente este novo círculo de amigos, depois do meu encontro pessoal com Jesus, fez a diferença.


cancaonova.com: Podemos dizer que essa experiência foi o fator determinante para a sua conversão?

Dunga: Eu defino como fator determinante dois pontos: o primeiro foi esta gama nova de amizades, pessoas que trouxeram muita positividade, muita alegria e muito sonho ao meu coração. O segundo foi a minha família que deu testemunho e sabia quem era eu (porque eu mesmo já não sabia quem eu era) e sabia do meu potencial musical, sabia do meu potencial de liderança, sabia do meu potencial como ser humano e ela não desistiu de mim e investiu em mim, a ponto de, ao me ver dando os primeiros passos na fé, me abraçar de tal maneira que eu fui mergulhado num novo relacionamento em minha casa e com meus novos amigos, e os amigos antigos que queriam uma nova chance em suas vidas também embarcarem nessa. Esse foi, de fato, um grande momento na minha vida, quando tudo se fez novo e eu, dia a dia, fui me apaixonando pelas coisas de Deus.


cancaonova.com: Como você descobriu esta vocação específica de evangelizar os jovens?

Dunga: Eu me considero uma pessoa comunicativa, então eu comecei a falar para as pessoas o que Deus tinha feito em minha própria vida. E isso não era uma coisa programada, ou seja, de repente, eu me via falando – num grupo de jovens, numa roda de amigos, na minha oficina, no time em que eu jogava – das coisas que eu estava fazendo ou deixando de fazer pela força do amor que sentia por Deus. E esta forma de me comunicar e de me expressar já estava sendo tocada e transformada, pois, logo que tive o meu encontro pessoal com Jesus, senti o desejo de falar daquilo que tinha acontecido em minha vida. E isso foi abrindo portas, foi me colocando à frente de um povo, foi me colocando à frente de uma juventude, em especial, e de uma forma muito rápida. Eu nem tinha tanto um conteúdo, mas eu contava minha história e as pessoas gostavam de ouvi-la e, a partir daí, as coisas foram se concretizando.

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cancaonova.com: O Acampamento PHN é um evento anual. Como os jovens que vêm para este encontro fazem para depois viver o PHN no dia a dia?

Dunga: Isso acontece, primeiro porque todo mundo está esgotado e saturado do erro. Ninguém erra porque quer, ninguém peca porque quer, as pessoas erram ou pecam por falta de opção, porque não é dado a elas um novo horizonte. Elas erram porque não apresentaram a elas este algo "novo", e quando elas vêm à Canção Nova e chegando aqui encontram cerca de 150 mil jovens cantando e dançando sem usar drogas, sem se prostituir, sem falar palavrão, sem violência, nós estamos apresentando a elas este novo horizonte. Então as pessoas descobrem que é possível ser feliz sem precisar estar neste padrão desgastado de felicidade oferecido pelo mundo de hoje, que é sempre algo vinculado ao álcool, ao tabaco, a drogas ilícitas, à prostituição. Elas percebem que a alegria pode acontecer sem este estereótipo de alegria que o mundo oferece. Isso é uma grande libertação, é como tirar a pessoa de uma prisão, de um mundo pequeno e lançá-la num mundo muito grande e infinito. Por essa razão, o jovem chega aqui e tem o contato com esta verdadeira alegria e quando ele chega na casa dele encontra pessoas iguais às que ele encontrou aqui na Canção Nova, aqui no PHN. É como se fosse um ímã que nos aproxima de pessoas com o mesmo objetivo nosso e o mesmo ideal nosso. Hoje, no mundo, os maus se unem para fazer o mal, não existe amizade entre pessoas más, pois aqueles que se reúnem para assaltar um banco, para fazer o tráfico, a prostituição, não existe o laço de uma amizade verdadeira, existe uma união para fazer o que é mau. Então aquilo que a pessoa considerava uma amizade era, na verdade, um verdadeiro engano e, quando ela tem um contato com o PHN e volta para a sua casa, ela começa a perceber que existe uma união para fazer o bem, e aí, sim, ela começa a sentir o prazer, o gozo de uma amizade sincera. E esta amizade conquistada é que vai lhe dar força, porque sozinho eu sou frágil, mas, com mais um, mais dois, mais dez, sou indestrutível. Então é esta amizade que vai surgindo no coração do jovem e lhe dando força para que ele possa testemunhar.

::Conheça como nasceu o PHN
::PHN 12 anos: 12 palestras, 12 atividades, 12 shows


cancaonova.com: Por que a evangelização tem o poder de tirar o jovem destas más realidades?

Dunga: Todo jovem gosta de radicalidade. Basta observar o quanto os jovens gostam e praticam esportes radicais por exemplo. Isso mostra que a juventude, no geral, é em si radical, o jovem é como uma plantinha que se não tiver raiz vai ser arrancada e destruída. Está na essência dele essa radicalidade, então, todo jovem gosta da palavra radical, e quando você apresenta a ele uma proposta radical de evangelização, como o PHN, ou seja, "Por Hoje eu Não vou mais pecar", dentro desta metodologia maravilhosa na qual o ontem não existe mais e o amanhã não está pronto ainda, eu só tenho o dia de hoje, isso é radical e o jovem gosta deste desafio por mais incrível que pareça. Às vezes, nós achamos que o jovem gosta dos desafios que o levam à destruição, e não é isso, na verdade, é porque não há opção, ele gosta mesmo é do desafio para fazer o bem, mas hoje não há quem ofereça este desafio a ele. Por isso, essa proposta é conquistadora; e quando eu digo "jovem" estou falando do jovem de espírito, ele pode ter 17 anos, 27, 37, 47 ou até mais, porque é o Espírito, que está dentro dele, que não envelheceu e, se ele se cuidou, ele tem uma estrutura que pode suportar este Espírito e vai aceitar este desafio em qualquer época de sua vida. Por isso esta evangelização tem uma força tão grande como nós estamos percebendo nos dias de hoje.

sábado, 20 de novembro de 2010

Entrevista, tema: Confissão

» Entrevista com Padre Rafael
Padre Rafael : "Se você está com uma 'pedra no sapato', isso é um pecado mortal."

Entre um atendimento e outro no confessionário da Canção Nova, o padre salvista Rafael Pereira de Lemos recebeu a equipe do cancaonova.com para falar sobre os passos fundamentais de uma boa confissão. O sacerdote explicou a necessidade de preparar-se para este momento e também esclareceu uma dúvida muito comum: a diferença entre confessar-se com um sacerdote ou diretamente com Deus.

Para ouvir esta entrevista na íntegra, clique no play abaixo. Ao ir para a página do Podcast Entrevistas, você encontrará, abaixo de cada post, uma seta; ao clicar nela você conseguirá baixar o arquivo em MP3.


cancaonova.com: Qual o primeiro passo para uma boa confissão?

Padre Rafael: O primeiro passo é o arrependimento, ou seja, a consciência que diz "errei e preciso voltar para casa", lembrando-se sempre de que a referência é o filho pródigo, que cai em si e volta para casa, como diz a Palavra de Deus. Então, para uma boa confissão eu tenho de me arrepender e ter consciência de que fiz algo de errado contra o Senhor, contra meus irmãos e contra mim mesmo.


cancaonova.com: Qual a necessidade de uma preparação?

Padre Rafael: Sem a devida preparação não há como ir ao encontro da misericórdia do Senhor. O que eu vou apresentar a Ele? As minhas misérias, aquilo que eu fiz de errado. A partir do momento em que eu tenho uma boa preparação e que confronto a minha vida com a Palavra de Deus, com a vontade d'Ele, eu tenho a coragem de voltar. O “fundo do poço” não é o nosso lugar, mas sim, junto de Deus, no grande banquete que Ele preparou para nós.


cancaonova.com: O que fazer para se lembrar de todos os pecados e estar preparado para a confissão?

Padre Rafael: Aqui, na Canção Nova, realizamos um rito, que é um exame de consciência com os Dez Mandamentos. Não é uma regra, pois há várias maneiras de fazer um exame de consciência: pelos Dez Mandamentos, pelas virtudes teologais (fé, esperança e caridade), pelos sacramentos, os mandamentos da Igreja. Existe também uma regrinha básica, uma criação minha, que é como uma pedrinha no sapato. Se você está com uma “pedra no sapato”, eu digo que isso é um pecado grave ou mortal. Você tem que parar, porque aquilo está gerando uma ferida, machucando o seu pé e, consequentemente, a sua vida. Mas, vez por outra, nós colocamos uma meia e deixamos a costura dela no lugar errado; aquilo fica nos incomodando. Eu chamo isso de pecados veniais, ou seja, que precisam só de um ajuste. Lembrando que para esse tipo de pecado eu tenho o perdão na Santa Missa, na qual peço perdão diretamente a Deus. A oração do Pai-Nosso já nos dá esse perdão.

"O 'fundo do poço' não é nosso lugar, mas junto de Deus, no grande banquete"
Foto: Wesley Almeida


cancaonova.com: Por que é importante confessar-se com um sacerdote e não diretamente com Deus?

Padre Rafael: A Palavra é clara quando nos diz que só Deus pode perdoar os pecados, só Ele é justo, só Ele não tem pecado. Quando você decide confessar-se com um padre o seu perdão já começa nesse momento, porque você já se apresentou diante de Deus, mas você vai diante do sacerdote para confirmar aquilo que já está sendo realizado no seu coração. Perdão dos pecados só existe no sacramento da confissão; por isso os padres da Igreja o chamam de “segunda tábua de salvação” (a primeira é o batismo), porque ali eu tenho a garantia de que Deus me perdoou. Mas há pecados, como um pensamento, um sentimento, que eu posso ir diretamente ao Senhor e dizer a Ele: “Olha, eu fiz isso, Senhor. Perdão, porque foi uma coisa sem pensar, eu não queria, foi um momento de tentação, mas eu estou entregando meus pecados diante do Senhor”. O próprio Jesus nos deu esse mandato: “Tudo o que ligares na Terra, será ligado no Céu; tudo o que desligares na Terra, será desligado no Céu” (Mateus 16,19).


cancaonova.com: É uma boa prática levar os pecados anotados em um papel no momento da confissão?

Padre Rafael: Eu faço isso, porque nós temos a tentação de esconder algumas coisas por vergonha de apresentá-las ou talvez porque o padre seja muito jovem e acreditamos que ele não compreenda bem o que queremos falar. Mas quando você coloca isso no papel, você monta um roteiro, não tem como escapar. Mesmo que o nosso coração esteja arrependido, temos a tentação de querer escondê-los [os pecados]. Sempre digo aos meus penitentes que é muito difícil falar de nós mesmos, principalmente de nossas misérias. Mas quando tenho um roteiro, sei por onde vou começar, quais são os pontos que precisam de mais ajuda e onde Deus precisa tocar com mais misericórdia.


cancaonova.com: Se, ao confessarmos, não contarmos ao sacerdote, por vergonha, um pecado do qual nos arrependemos, este será perdoado?


Padre Rafael: A contrição é o arrependimento perfeito, ou seja, eu tenho um coração contrito e humilhado, porque me arrependo dos meus pecados, vou até o padre, confesso, falo aquilo que eu tenho feito de errado e recebo perdão. Mas quando eu, conscientemente, omito minhas faltas, a confissão não é valida, porque eu tive apenas uma atrição, isto é, uma abertura para a conversão. O belo é que nós temos sempre essa experiência de pessoas que guardam um pecado por 20, 30 anos, mas não conseguem escondê-lo pelo resto da vida. A partir do momento em que você tem aquilo mexendo dentro de você, incomodando-o, você quer o perdão, mesmo que não tenha a coragem de pedi-lo. Mas quando chega o momento certo, você tem de apresentá-lo a Deus. Isso é o que o Catecismo da Igreja Católica chama de atrição, uma abertura do coração para o arrependimento, para a conversão.


cancaonova.com: De quanto em quanto tempo é necessário se confessar?


Padre Rafael: De acordo com a Igreja, uma boa confissão é de, ao menos, uma vez por ano. Mas eu creio que a regra básica é saber quantas vezes você comunga. Se você comunga todos os domingos, deve confessar-se uma vez por mês ou a cada dois meses. Mas se você tem uma frequência maior de comunhão, você tem de estar sempre se examinando. “Será que pequei? Será que falhei diante de Deus, dos meus irmãos ou de mim mesmo?” Mas não crie pecados, porque confissão é para aquilo que você realmente necessita.

A Bíblia diz que um justo peca sete vezes por dia; mas o segredo do justo é que ele recomeça todos os dias. Então, se um santo peca sete vezes por dia, eu tenho de me converter com mais frequência. Por isso que, no ato penitencial da Santa Missa, nós recordamos isso; e para nos aproximarmos do banquete precisamos estar purificados.


Confessionário da Canção Nova
Foto: Wesley Almeida


cancaonova.com: Ao confessarmos, precisamos entrar em detalhes sobre a falta cometida?

Padre Rafael: Detalhes, eu creio que não são necessários; mas, pelo menos, é preciso ser objetivo e claro naquilo que você está falando. Na Canção Nova, quando alguém vai se confessar, diz o seu estado de vida: se é casado ou solteiro.... Mas se você vai dizer que pecou contra o Sexto Mandamento [Não matarás], ele é uma imensidão de coisas. Como confessor, eu preciso saber o que você realmente fez, pois a partir do momento em que você tem essa delicadeza de dizer o que realmente cometeu, não precisa detalhar. O que você precisa é ser objetivo, claro e consciente do que está fazendo para não gerar dúvidas.


cancaonova.com: Qual a diferença entre confissão e direção espiritual?

Padre Rafael: A direção espiritual é mais detalhada. Na confissão, eu quero receber de Deus o perdão. A direção espiritual, como o nome já diz, é uma direção para a minha vida: os meus relacionamentos, o meu projeto de vida, santidade, os problemas familiares. Essa prática me dá dicas de como superar as dificuldades, de como olhar diferente, de como trabalhar para superar determinados pecados, vícios.

Em muitos lugares, às vezes, a pessoa vai se confessar e reclama que o padre foi muito seco, pois só a escutou e lhe deu a absolvição. Isso é a confissão clássica, ou seja, aquilo que a Igreja ensina desde todo o sempre. E, aqui, na Canção Nova, nós temos a graça de receber as pessoas para a confissão dando-lhes pistas de como se olharem de forma diferente. Há muitas pessoas que confundem culpa com sentimento de culpa, porque já confessaram o pecado, mas acham que não foram perdoadas, pois o sacerdote não lhes falou nada. O pecado já não existe mais, mas a pessoa, nesse caso, precisa de uma direção espiritual para superar o sentimento de culpa. É preciso recordar-se da confissão, do amor de Deus e da misericórdia d'Ele para seguir um novo rumo.


cancaonova.com: Qual o significado do uso da estola e qual cor deve ser usada no momento da confissão?

Padre Rafael: Dentro da liturgia, o roxo simboliza a conversão, a penitência. O sacramento da confissão também tem o nome de “sacramento da penitência”. Desde o Antigo Testamento, quando homens e mulheres pecavam contra Deus e reconheciam os seus pecados, pediam perdão ao Senhor e faziam penitência. Então, o roxo simboliza esse tempo de mudança para dizer “eu quero ressuscitar com Cristo”. É belo quando, no final da absolvição, nós [sacerdotes] dizemos: “Eu o absolvo dos seus pecados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. A estola relembra para o sacerdote e para o penitente que não é um simples mortal que está ali. O sacramento me configura a Cristo para trazer vida nova e salvação para aquela alma.


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